08/10/2010

O METODISTA PETER CARTWRIGHT

Aqui está um pequeno episódio da vida de Peter Cartwright,
contado por ele mesmo. Nos primeiros dias de seu ministério itinerante,
nas matas virgens de Kentucky, havia uma taverna pertencente
a um notório valentão. Sua repetida ostentação em voz alta
era: “Nenhum pregador permanece aqui”. Cartwright estava cavalgando
em seu circuito ali naquela vizinhança; havia ouvido a
jactância, mas permaneceu firme no seu caminho. Notícias da
aproximação do pregador foram levadas ao taverneiro, que saiu
quando viu Cartwright aproximar-se. O valentão ordenou ao pregador
que voltasse ou levaria uma surra. Peter Cartwright nunca
gostou de “receber ordens” de ninguém, nem mesmo em seus
últimos anos, dos bispos da Igreja Metodista Episcopal! Apeou do
cavalo e a briga se desenrolou. Logo ele tinha o taverneiro no
chão e esmurrava-o vigorosamente, enquanto cantava: “saudai o
nome de Jesus”. Fez o valentão prometer nunca mais interferir
com os pregadores; mas Peter teve que cantar três estrofes até o
homem concordar!
Isso, certamente, não estava de acordo com a Disciplina
Metodista, ou com qualquer etiqueta ortodoxa eclesiástica; mas
estava de acordo com a natureza do homem e com a vida de uma
fronteira selvagem.
Tal incidente, que se multiplicou muitas vezes na própria autobiografia
de Cartwright, e centenas de vezes nas lendas que se
formaram sobre ele, indica um aspecto da admirável carreira e
personalidade do homem. Ele se projeta como um homem de lendário
vigor físico, rápida adaptabilidade a todas as condições de
vida, agudeza de espírito e admirável poder de voz pungente e
uma devoção firme ao evangelho e à Igreja. Ele era o único – não
tirado de um molde – uma demonstração da verdade que “Deus
cumpre suas promessas de muitas maneiras”, para que um bom
costume (ou um só tipo de pregador) não corrompa o mundo.
Peter Cartwright cresceu em Kentucky, quando esse Estado
ainda era “terra escura e sangrenta”. Serviu toda a vida, desde o
começo, como pregador itinerante, em Kentucky, com a idade de
dezoito anos, até a morte, em 1872, 69 anos de prodigioso trabalho,
nos estados de Kentucky, Indiana e Illinois. Por vinte anos foi
itinerante e por cinqüenta superintendente distrital. A riqueza da
história de seu espírito, seu poder ao tratar com homens violentos,
não devem obscurecer a lembrança de sua sabedoria, sólido senso
e dedicação religiosa, assim como o conhecimento do senso
de humor possuído pelo grande amigo de Cartwright, Abrahão
Lincoln, não deve obscurecer a apreciação de sua grandeza moral.
Aqui está uma descrição contemporânea de Cartwright, com
um pouco de imaginação:
“Sua boca e olhos, tanto quanto a radiante graça da
parte superior de suas faces, falam de uma natureza
bondosa e sociável. Sua cabeça é grande e firmemente
sustentada entre amplos e compactos ombros. Sua testa
é larga e encimada por uma emaranhada massa de cabelo
cinzento férreo. Seus olhos são intensamente profundos
em cor e brilham como fogo, sob as felpudas sobrancelhas,
e nos cantos dos olhos ostenta profundas
rugas. Sua pele nunca clara, é bastante queimada pelo
sol.
Aqui está o homem em ação aos setenta anos:
“cavalgou 70 quilômetros sob chuva, pregou a muitas
congregações, recebeu, para as despesas, 15
centavos de dólar e para as refeições doze grandes
maçãs.”
Ele chamava a si mesmo “o lavrador de Deus”. A lâmina do
seu arado penetrou profundamente na vida da nação e das igrejas.
E, havendo posto a mão ao arado, nunca olhou para trás.

Do Livro "Linha de Esplendor Sem Fim"
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